Ana Maria Galheigo

Jornalista e pedagoga católica, Cooperadora Paulina para o Evangelho, participa da Pastoral da Comunicação na Paróquia de Santo Afonso, na cidade do Rio de Janeiro 

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O Papa Francisco, no dia de São José desse ano, 19 de março de 2016, tornou pública a Exortação Apostólica Pós-Sinodal AMORIS LAETICIA sobre o amor em família. Uma exortação é diferente de uma encíclica – exortar significa incitar, aconselhar, induzir. Na introdução, ele diz que “nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magistrais”, ou seja, nem sempre cabe uma definição única do Papa, mas uma orientação pastoral que considere, concretamente, cada caso específico.  E acrescenta que “cuidar do amor na família” é uma oportunidade e não um problema.

 

Após uma extensa fundamentação bíblica, Francisco incita a prestar atenção à realidade de cada família que é mais ampla do que a ênfase que vem sendo dada à procriação. Oferece todo conteúdo para uma reflexão sobre o tema baseado no “hino ao amor” de São Paulo (1Cor 13,4-7): “O amor é paciente, é benfazejo, não é invejoso…” Um conteúdo pronto para reflexão e para homilias sobre o tema.

 

O Papa fala carinhosamente sobre“ o amor que se torna fecundo”: os filhos e sua educação, sobre a maternidade, a adoção, a velhice e a família ampliada.

 

Os jovens de hoje ainda procuram muito o casamento, mas, em muitas vezes, por motivos diversos do que a constituição de uma família: a beleza da cerimônia do casamento ou a paixão cega que podem levar, quase sempre, a desfechos dolorosos. Esses problemas, entre outros, justificam um denso trabalho pastoral, tanto na prevenção, como na cura de feridas e de rupturas. O sexto capítulo traz a reflexão para essas diversas realidades pastorais - um manual para as igrejas locais e pastorais familiares. Dá ênfase à preparação dos noivos, desde o discernimento para a vocação matrimonial, ao acompanhamento nos primeiros anos de matrimônio.

 

O Santo Padre exorta as igrejas locais, com carinho, a acompanhar, discernir e integrar os seus filhos que se encontram em situações de fragilidade, incompletude, afirmando que a graça de Deus também atua sobre eles. Os descasados ou recasados e as diversas situações que fogem ao padrão da família de Nazareth devem ser tratados com carinho e acolhimento. Não existe uma solução única – faz-se necessário o discernimento para descobrir caminhos que não excluam da vida comunitária, mas que os integrem progressivamente.

 

A vida em família, com todos os seus matizes, é a oportunidade para “um pastoreio misericordioso”, capaz de, perdoar, acompanhar, esperar e sobretudo integrar. A lógica que deve prevalecer na Igreja é de “ fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais”.

 

ANA MARIA GALHEIGO

 O Papa Francisco deu aos bispos, a todos os fiéis da Igreja e aos homens de boa vontade a Encíclica Laudato Si, na solenidade de Pentecostes do ano passado, precisamente no dia 24 de maio de 2015. Mas o que é uma encíclica? O que quer dizer Laudato Si? E que diz essa encíclica?

 

Uma encíclica é uma carta em que os papas orientam os bispos e o povo de Deus sobre determinado tema que é interpretado e detalhado à luz do Evangelho. Nas últimas encíclicas da Igreja, o público foi ampliado: “e a todos os homens de boa vontade”. Assim o mundo fica sabendo como a Igreja se posiciona sobre determinado tema.

 

Essa carta do Papa Francisco tem como título “Laudato Si” e começa o texto com “Laudato Si, mi Signore”. Quer dizer: Louvado seja, meu Senhor, que é o que São Francisco de Assis, no outono de 1225, quase moribundo cantava em louvor da mãe Terra, no poema Cântico das Criaturas: ele louva a natureza, a vida e a morte. Prega um estilo de vida baseado no cuidado com todos os seres e com todo pulsar de vida.

 

O cardeal Jorge Mario Bergoglio, atual papa, adotou o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis, exemplo de vida voltada para os pobres e para natureza. Ao escrever esta encíclica, ele trata do cuidado com a mãe Terra junto com a preservação da humanidade. O subtítulo do documento é: “sobre o cuidado com a casa comum”. Os estudiosos de Ecologia, ciência que estuda a preservação da natureza, admitem que esse texto é um avanço por incluir a Ecologia humana. Sempre que se devasta a natureza, os que mais sofrem são os mais pobres.

Por fim, a encíclica exorta que todos tenham, além de atitudes ecológicas, uma postura ativa de mobilização política em torno desse tema. O povo de Deus deve ter um comportamento proativo para defender a casa comum: ensinar a preservar, organizar a comunidade para buscar soluções e denunciar as violações.

Ana Maria Galheigo

  

A mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, a ser comemorado este ano no dia 8 de maio na festa a Ascensão do Senhor, tem como tema “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”.

Segundo o padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltá Cattolica, o pontificado de Francisco tem uma palavra que o define: encontro. De fato, nos três últimos documentos do Dia das Comunicações Sociais, o santo padre retoma a essência da comunicação: o encontro fecundo entre as pessoas, o diálogo entre sujeitos, que gera compaixão, ternura e perdão.

 

O amor é comunicação! Leva as pessoas a se abrirem uma as outras. Ir ao encontro. Gera delicadezas, cuidados nas escolhas de palavra. Constrói pontes e inclui pessoas. Visa a comunhão.

 

O encontro da comunicação com a misericórdia cura! Restaura relações dilaceradas. Produz a paz, seja em uma família ou no âmbito da sociedade.

 

O Papa Francisco faz um apelo “àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação de opinião pública”, o especial cuidado no trato com os diferentes.

 

Incita a não esmorecer e a não dar por perdida a busca pela concórdia. “Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia! Felizes os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus! ” Mt 5,7-9. A dureza, como muitas vezes tratamos ou julgamos os outros, não produz bons resultados, mas a reação e a autodefesa.

 

“Escutar nunca é fácil ” - escreve o Papa, escutar com atenção, com respeito e com vontade de entender. Não precisa ser presencialmente, pode ser intermediado por uma mídia, desde que seja com abertura para acolher.

 

Por trás da tecnologia, tem que estar o coração do homem. “O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral”. Quantas pessoas chegaram mesmo a morrer por uma comunicação irresponsável, sem misericórdia?

 

O santo padre define que o poder da comunicação, seus diversos ambientes e instrumentos como um dom de Deus que ele chama de “proximidade que cuida, conforta, cura acompanha e faz festa”.

 

 

O mundo de hoje está fragmentado, dividido, polarizado. A comunicação com misericórdia pode gerar a proximidade, a solidariedade e a união entre os filhos de Deus e os povos do mundo.

     As notícias das últimas semanas trazem à tona as questões do preconceito religioso e contra os homossexuais. Eles chamaram a atenção pela repercussão fundamentalista que tiveram entre os católicos nas redes sociais. Três fatos se destacaram: os ataques aos centros de culto das religiões de matriz africana, a aprovação do casamento gay nos Estados Unidos, e a reação violenta dos irmãos de fé contra a missa celebrada pelo padre jesuíta Luís Corrêa Lima, em Itaquera, São Paulo.

 

Justo na 6ª feira, 26 de junho, o Evangelho de Mateus 8,1-4 nos diz:

1 Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão o seguiu. 2 Eis que um leproso aproximou-se e prostrou-se diante dele, dizendo: Senhor, se queres, podes curar-me.  3 Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero, sê curado. No mesmo instante, a lepra desapareceu. 4 Jesus então lhe disse: Vê que não o digas a ninguém. Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote e oferece o dom prescrito por Moisés em testemunho de tua cura.

 

A lepra na antiguidade tinha dupla punição: além de uma doença quase impossível de ser curada, a sociedade, com medo do contágio, excluía o leproso socialmente. A homilia do Papa Francisco para esse Evangelho não podia ser mais tocante e  mais profunda. Diz ele: "Jesus jamais marginaliza alguém, jamais. Marginaliza si mesmo, para incluir os marginalizados".

No meu pequeno universo de católicos do Facebook, cerca de três mil “face amigos”, eu pude observar a guerra santa que foi travada entre irmãos fundamentalistas e não fundamentalistas. Aliás, o ambiente desta mídia é muito rico para essas observações.

 

   No caso da menina do candomblé que levou uma pedra, saiu o post: “Religião não se discute, respeita-se!” e eu percebi uma reação de irmãos fundamentalistas criticando as relações fraternas que devermos com nossos irmãos do candomblé. Como se os irmãos fossem leprosos.

 

 

   O padre jesuíta, Luís Corrêa Lima, celebrou uma missa na Paróquia Nossa Senhora do Carmo em Itaquera. O folheto da missa circulou pelo Facebook com o seguinte comentário: “um padre ao desserviço da Igreja”, isso porque nas preces dos fiéis, texto falava da onda fundamentalista que está se espalhando pelo país, sobre a questão da homossexualidade, sobretudo na Câmara dos Deputados. Mais uma vez eu me lembrei do que o Papa falou: Cristo, ao tocar no leproso se marginalizou a si mesmo. Tentar enfrentar essas chagas fundamentalistas é se colocar junto e marginalizado. É preciso coragem!

 

   Por fim, a grande repercussão surgida nas redes sobre a legalização do casamento gay nos Estados Unidos, que coloriu o Facebook com o aplicativo que coloca as fotos do perfil de cada um sob a bandeira colorida da causa LGBT. Surgiu uma reação  das pessoas colocando as suas fotos, em outro aplicativo, sob a bandeira Vaticana, como quisessem dizer: “eu não sou LGBT; sou Igreja; não me contamine com essa lepra”.

 

Mas os tempos são de esperança. Temos um pastor na Igreja com cheiro de ovelhas. O Papa Francisco disse em várias ocasiões: "Prefiro uma Igreja rota, esfarrapada e suja por estar nas ruas atuando, a uma Igreja enferma por estar confinada e se agarrando à própria (sensação ilusória de) segurança". ... "Não quero uma Igreja obcecada por estar no centro e que acaba presa em uma rede de obsessões e procedimentos."

 

Precisamos ter coragem de nos sentir marginalizados na nossa própria Igreja, de tocarmos na lepra do preconceito, para, então nos curarmos juntos dos irmãos que sofrem por estarem sendo marginalizados. Como Cristo fez.

 

Você já leu o documento de São João Paulo II: “Vocação e missão dos Leigos na Igreja e no Mundo”? É uma leitura fundamental.  Nós, que não somos consagrados, pelo Batismo, somos incorporados em Deus, e recebemos uma missão na Igreja e no mundo. Somos os trabalhadores da vinha do reino. Pio XII nos diz que não devemos apenas pertencer à Igreja, mas ser Igreja.
 
Participamos do “múnus sacerdotal, profético e real de Cristo” (§ 14). Múnus sacerdotal por que participamos do sacrifício da Cruz que se repete continuamente na Eucaristia; múnus profético – quando damos testemunho vida e proclamamos a Palavra; múnus real – estamos a serviço do Reino, pois, segundo São Pedro, somos “a raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo que Deus adquiriu.” (1 Pd 2,9).
 
Há uma variedade de vocações. Disse o apóstolo Pedro: “cada um viva segundo o carisma que recebeu, colocando-o a serviço dos outros, como bons administradores da multiforme graça de Deus” (I Pd 4,10).  A vida em família, a vida profissional e a contribuição na paróquia formam a base comum do trabalho do leigo; entretanto, a participação do leigo deve extrapolar o cotidiano.
 
O documento chama a atenção para não cairmos em duas tentações: exclusivo interesse pelas atividades religiosas e eclesiais, deixando de lado as nossas responsabilidades específicas do mundo (família e trabalho) ou separar a fé e a vida cotidiana: dois extremos a serem evitados.
 
O leigo tem o papel de viver o Evangelho servindo à pessoa e à sociedade; promover a dignidade inviolável da pessoa, defender a vida da concepção à morte natural; enfrentar os desafios da bioética; defender a família – como primeiro espaço para empenho social; promover a caridade, que não pode ser dissociada da justiça social.
 
Nesse sentido, o documento é categórico: “os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política, ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum”.
 
Define, também que: o homem deve ser livre, sujeito, e centro da vida econômica e social. “Uma política em favor da pessoa e da sociedade tem seu critério de base na busca do bem comum, como bem de todos os homens e do homem todo, bem oferecido e garantido para ser livre e responsavelmente aceito pelas pessoas, tanto individualmente como em grupo.”
 
A Igreja pede a presença dos leigos na criação e na transmissão da cultura, nos lugares específicos e privilegiados como nas escolas e nas universidades para criar conhecimento e ciência. 
 
Na mídia, também, o leigo tem um papel essencial, participando dos meios de comunicação social e produzindo informações. Urge uma ação educativa visando desenvolver o senso crítico, a defesa da Verdade, da Liberdade, a luta pelo bem comum pelas diferentes mídias: cinema, televisão, internet, rádio, jornais. 
 
Que Jesus Mestre, que é Caminho, Verdade e Vida, nos guie para que possamos cumprir bem o nosso papel como leigos e leigas.
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