Ana Maria Galheigo

Jornalista e pedagoga católica, Cooperadora Paulina para o Evangelho, participa da Pastoral da Comunicação na Paróquia de Santo Afonso, na cidade do Rio de Janeiro 

Vídeos

This page require Adobe Flash 9.0 (or higher) plug in.

Calendário

 Ago   Setembro 17   Out

DSTQQSS
   1  2
  3  4  5  6  7  8  9
10111213141516
17181920212223
24252627282930
Julianna Walker Willis Technology

Busca

Acesso Restrito



     As notícias das últimas semanas trazem à tona as questões do preconceito religioso e contra os homossexuais. Eles chamaram a atenção pela repercussão fundamentalista que tiveram entre os católicos nas redes sociais. Três fatos se destacaram: os ataques aos centros de culto das religiões de matriz africana, a aprovação do casamento gay nos Estados Unidos, e a reação violenta dos irmãos de fé contra a missa celebrada pelo padre jesuíta Luís Corrêa Lima, em Itaquera, São Paulo.

 

Justo na 6ª feira, 26 de junho, o Evangelho de Mateus 8,1-4 nos diz:

1 Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão o seguiu. 2 Eis que um leproso aproximou-se e prostrou-se diante dele, dizendo: Senhor, se queres, podes curar-me.  3 Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero, sê curado. No mesmo instante, a lepra desapareceu. 4 Jesus então lhe disse: Vê que não o digas a ninguém. Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote e oferece o dom prescrito por Moisés em testemunho de tua cura.

 

A lepra na antiguidade tinha dupla punição: além de uma doença quase impossível de ser curada, a sociedade, com medo do contágio, excluía o leproso socialmente. A homilia do Papa Francisco para esse Evangelho não podia ser mais tocante e  mais profunda. Diz ele: "Jesus jamais marginaliza alguém, jamais. Marginaliza si mesmo, para incluir os marginalizados".

No meu pequeno universo de católicos do Facebook, cerca de três mil “face amigos”, eu pude observar a guerra santa que foi travada entre irmãos fundamentalistas e não fundamentalistas. Aliás, o ambiente desta mídia é muito rico para essas observações.

 

   No caso da menina do candomblé que levou uma pedra, saiu o post: “Religião não se discute, respeita-se!” e eu percebi uma reação de irmãos fundamentalistas criticando as relações fraternas que devermos com nossos irmãos do candomblé. Como se os irmãos fossem leprosos.

 

 

   O padre jesuíta, Luís Corrêa Lima, celebrou uma missa na Paróquia Nossa Senhora do Carmo em Itaquera. O folheto da missa circulou pelo Facebook com o seguinte comentário: “um padre ao desserviço da Igreja”, isso porque nas preces dos fiéis, texto falava da onda fundamentalista que está se espalhando pelo país, sobre a questão da homossexualidade, sobretudo na Câmara dos Deputados. Mais uma vez eu me lembrei do que o Papa falou: Cristo, ao tocar no leproso se marginalizou a si mesmo. Tentar enfrentar essas chagas fundamentalistas é se colocar junto e marginalizado. É preciso coragem!

 

   Por fim, a grande repercussão surgida nas redes sobre a legalização do casamento gay nos Estados Unidos, que coloriu o Facebook com o aplicativo que coloca as fotos do perfil de cada um sob a bandeira colorida da causa LGBT. Surgiu uma reação  das pessoas colocando as suas fotos, em outro aplicativo, sob a bandeira Vaticana, como quisessem dizer: “eu não sou LGBT; sou Igreja; não me contamine com essa lepra”.

 

Mas os tempos são de esperança. Temos um pastor na Igreja com cheiro de ovelhas. O Papa Francisco disse em várias ocasiões: "Prefiro uma Igreja rota, esfarrapada e suja por estar nas ruas atuando, a uma Igreja enferma por estar confinada e se agarrando à própria (sensação ilusória de) segurança". ... "Não quero uma Igreja obcecada por estar no centro e que acaba presa em uma rede de obsessões e procedimentos."

 

Precisamos ter coragem de nos sentir marginalizados na nossa própria Igreja, de tocarmos na lepra do preconceito, para, então nos curarmos juntos dos irmãos que sofrem por estarem sendo marginalizados. Como Cristo fez.